17/04/2008

" Cala a minha boca com a tua"

Pedro Paixão, excelente escritor,em todas as suas obras demonstra uma grande afinidade com as palavras, transporta magia da ficção para a vida real de quem lê os seus livros. O último livro que li dele chama-se " Cala a minha boca com a tua" e é simplesmente bestial. Aqui deixo um pequeno excerto para vos alimentar a curiosidade:

"Toda a gente sabe que a arte é uma forma de magia. O que ninguém sabe é o que é a magia. Torna presente o que está ausente, sem que se saiba como. Acontecem coisas sem que se compreenda por que acontecem e, precisamente, o que menos interessa é saber ou compreender. Fascina e arrepia. Eu andei a brincar com coisas que não devia. Percebi tarde que as consequências do que fazia fugiam por completo ao meu controlo, que a partir de certa altura, bem cedo, não era eu que jogava, era eu eu o jogado."

Espero que se divirtam e sonhem a ler. Até breve!

08/04/2008

Mano

Desde sempre que gosto de ti. Do teu rosto, do teu longo cabelo louro, dos teus olhos, do teu sorriso e do som das tuas gargalhadas. Claro que não me era indiferente (nem é) o teu talento nato para o desenho - a tua sobrinha J. sai a ti - era maravilhoso ver como as tuas mãos transformavam um traço sem sentido, num rosto, num animal, numa paisagem, era mágico; Eu ficava encantada e deslumbrada! Não é por acaso que a tua profissão está totalmente ligada ao desenho.

Quando entrei na adolescência fui percebendo que o ambiente familiar estava diferente. Tu eras o assunto principal de todas as conversas, conversas feitas em surdina. Já não brincavas tanto comigo, já não te rias tanto, já praticamente não desenhavas e passavas cada vez menos tempo em casa. Um dia soube o motivo da mudança do teu comportamento e da permanente falta do teu brilho que te era tão característico. A droga. A puta da droga. Nesse tempo era completamente tabu falar desses assuntos e como deves calcular a única coisa que eu sabia do tema é que era proibido e muito perigoso para a saúde. Foi tão difícil. Todos sofremos. Mas nunca tivemos vergonha de ti, quando as pessoas comentavam o momento que passavas na vida, nós simplesmente ignorávamos. Essas pessoas não eram importantes para nós, a única coisa que importava eras tu. Sofremos porque não sabíamos como te ajudar, porque o nosso amor e carinho não eram suficientes para derrotarmos a maldita. Foram anos complicados. Mas por ironia do destino ou numa chance divina foste "empurrado" para uma situação que te fez pensar que estavas a desperdiçar o melhor da vida e com uma força de vencer o que te estava a matar, alcançaste a meta, acabaste com o que te tinha consumido o que de melhor tinhas. Foi maravilhoso! Considerei-te um herói, um exemplo de vida e ainda me orgulhei mais de ser tua irmã. Vinte e poucos anos se passaram e nunca caíste na tentação que de certeza tiveste mas, jamais contaste.

Presentemente, por outros motivos, volta a preocupação. Mas agora ainda é mais grave, porque não conheço as razões que te levaram a tomar atitudes tão drásticas. Confesso que para mim foi um choque. Não estava à espera que quebrasses, mas como é óbvio, tu és um ser humano como qualquer outro e também tens as tuas fragilidades. Tu és um homem maravilhoso porque não escondes os teus defeitos e transpiras as tuas qualidades. Os teus irmãos precisam que tu nos deixes ajudar-te. Esconder problemas não é solução. Olha para mim, também nem sempre falei dos meus problemas e isso não me ajudou em nada, bem pelo contrário. Sou sangue do teu sangue e podes contar comigo para o que quiseres. Eu amo-te como és! Desculpa se nunca to disse antes. Mano, todos nós temos recordações boas e más, mas tudo passa. Não tenhas medo de arranjar outras.

Beijinhos

29/02/2008

Silêncio

O silêncio continuado é doloroso. Doloroso porque o que distingue os seres humanos dos animais são as palavras.
Sinto falta das tuas palavras. Não importa que sejam palavras amistosas ou rudes, curtas ou longas, com ou sem sentimento, porque além das tuas palavras, falta-me a tua voz. Perdemos tanto tempo a calar a nossa voz, perdemos tempo por não nos fazer ouvir, não dizer o que nos vai na alma e no coração. A nossa essência humana não está preparada para nos fazermos ouvir por gestos, temos o exemplo de quem não se consegue expressar de outra forma e é tão difícil ser entendido. Para mim é um sufoco, quando de alguma forma não consigo exprimir-me com a voz. Sei de outras formas de comunicação e, por acaso, até estou a utilizar uma, a escrita. Mas será que quando lemos, entendemos e sentimos tal qual a pessoa que escreveu? Não. A fala é espôntanea, verdadeira e acima de tudo real. A nossa voz espelha os nossos sentimentos. Quando a voz sai alta e rude estamos zangados, quando sai alta e meiga estamos alegres, eufóricos, quando a voz sai suave estamos calmos, felizes, de bem com a vida. Também é verdade que um gesto vale mais que mil palavras, mas será sempre assim? Palavras leva-as o vento, mas só quando as há! Mas nem sempre o gesto comalta a falta da voz.
Saudades...

Até breve

13/02/2008

Ler

Das coisas que mais gosto de fazer é Ler!
Ler enche-me, preenche-me, ensina-me, faz-me descobrir novos sentimentos e emoções, faz com que olhe à minha volta com uma perspectiva diferente, faz-me sonhar, mas, essencialmente, faz-me crescer.
Faço parte de um grupo de leitores e ontem participei na minha 1ª sessão, gostei muito e achei muito interessante que um grupo de pessoas que não se conhecem entre si, que têm profissões distintas, que são de gerações diferentes e com estilos de vida opostos consigam através dos livros reunirem-se e partilhar ideias e gostos. Foi-nos dada uma lista com os livros que vamos "debater" durante o ano. Começámos pelo escritor francês Daniel Pennac, com a obra "Como um Romance". Este livro é acima de tudo um manual de leitura, que pode ser lido por todas as pessoas mas que é especialmente dirigido aos pedagogos e educadores (professores e pais). Daniel Pennac é professor de francês e desmistifica a imagem do livro como um "papão", um "ladrão" de tempo e paciência e como a leitura não tem de ser encarada como uma obrigação. Este autor ataca com alguma veemência os programas escolares e oferece-nos a sabedoria da sua vasta experiência como pedagogo e como conseguiu incutir o gosto pela leitura nos seus alunos, simplesmente genial.
Neste livro o autor promulga os direitos do leitor que passo a citar:
1º - O direito de não ler
2º - O direito de saltar páginas
3º - O direito de não acabar um livro
4º - O direito de reler
5º - O direito de ler não importa o quê
6º - O direito de Amar os "Heróis" dos Romances
7º - O direito de ler não importa onde
8º - O direito de saltar de livro em livro
9º- O direito de ler em voz alta
10º - O direito de não falar do que se leu


Como não poderia deixar de o fazer, felicito o coordenador do grupo de leitores, Gaspar Matos, pela sua generosidade em partilhar o seu vasto conhecimento em literatura e, pela sua autenticidade porque mesmo sendo trabalho, não pude deixar de notar, que é acima de tudo um prazer. Obrigado Gaspar.

Não se esqueçam " O prazer de ler não se perdeu, está é escondido!", encontrem-no e divirtam-se!

Até breve!

06/02/2008

Ai esta ( in) justiça !

Quando nos referimos no nosso país à justiça é sempre para frisar a própria injustiça que a justiça acarreta. Frases feitas tais como " justiça é só para quem tem dinheiro", " aquele fulano tem amigos muito poderosos", mas pessoal vamos lá ver se nos entendemos, quem tem dinheiro não está acima da lei, custa-me acreditar que todos os nossos Juízes se vendam por qualquer soma de dinheiro ou , até mesmo, por uma casita , por umas quantas acções em qualquer empresa. Mas o problema não é esse dizem-me algumas pessoas, o problema é que muitos casos nem chegam a processos por falta de provas, ou melhor dizendo as provas existem são é destruídas e como tal os bandidos ficam à solta.
Agora deu-se mais um escândalo, o sr. Alípio Ribeiro, director da polícia judiciária afirmou numa entrevista que secalhar houve uma certa precipitação a dar o estatuto de arguidos aos pais da menina que desapareceu no Algarve no dia 3 de Maio do ano passado. Que consequências poderão advir desta infeliz afirmação? A meu ver algumas e preocupantes:
1º - Desacredita as autoridades judiciais (inspectores) da instituição que representa, (consta que o ambiente na Judiciária está de cortar á faca);
2º - Desacredita a capacidade dos magistrados do Ministério Público que já ergueram a voz em defesa própria;
3º - Passou a imagem de que as autoridades judiciais do nosso País não têm capacidades para enveredar em investigações deste calibre;
4º - Passa uma imagem de má organização na Justiça Portuguesa;
5º - os Mcann agradecem;

Nõa creio que seja difícil prever que esta infeliz declaração "afundou" a hipótese remota de concluir a investigação de forma serena e verdadeira. Este ilustre senhor Alípio Ribeiro deveria ser banido do cargo que ocupa, mas o senhor Ministro da Justiça, Alberto Costa já fez saber que não tem razões para demitir o director da polícia judiciária. Este caso criou uma inimizade política e judicial entre portugueses e britânicos, mas esquecem-se que o mais importante é perceber o que realmente aconteceu com a menina. Eu quero acreditar que um dia tudo se vai saber.
Até breve!

25/01/2008

Terror e terrorismos

" O 4º número da Comunicação & Cultura dedica o tema de fundo ao fenómeno do terrorismo internacional. Os vários textos analisam a evolução do fenómeno numa sociedade capitalista e como o terrorismo global ocupou " um lugar importante no sistema de poder planetário: o do inimigo. " A revista patrocinada pela Universidade Católica e pelo Centro de Estudos de Comunicação e Cultura tem artigos de Susan Santog, Carlos Gaspar, José Augusto Mourão e Isabel Capeloa Gil."
In Revista Sábado, edição nº 195, suplemento 1ª
escolha só o melhor, pág. 4


Uma sugestão para levar em conta pois, Portugal está em pânico, assolado de medo devido à ameaça terrorista. Até agora a única bomba foi mesmo a notícia. Pessoal, em verdade vos anuncio que não acredito que o nosso país seja uma potencial escolha pra perpetar um atentado terrorista. A razão apontada tem a ver com os nossos soldados no Afeganistão, parece-me pouco, apesar de estes senhores agirem por convicções religiosas sustentados em fanatismo, assim mesmo, não creio de todo que, a razão apontada seja motivo para uns tipos de turbante ou não rebentarem umas bombas com eles mesmo incluídos ou não, num qualquer espaço no nosso pequeno e pobre país. Um outro facto que me faz pensar e até rir é que hoje em dia qualquer pessoa está proibida de se esquecer de qualquer tipo de volume dentro de um transporte público, num átrio de acesso a estes mesmos ou até mesmo num banco de jardim. Imediatamente é instalado o caos e são chamados os agentes especializados de Minas e Armadilhas equipados com os aparelhos próprios para detonarem o tal volume. Ora se alguém se apercebe que perdeu algo e se dirige ao gabinete de perdidos e achados a pessoa do outro lado do guichet diz : "preencha este formulário mas digo-lhe que possivelmente o que procura já foi detonado," por favor, descam à terra, não vamos também agora ficar paranóicos com tudo, creio que o país enfrenta graves problemas e são com esses que temos de nos preocupar.
Até breve. Maria Fonseca

23/01/2008

sentença de vida

É a primeira vez que escrevo num blog, algumas pessoas amigas já me tinham convidado mas tinha recusado, mas agora deu-me a súbita vontade de escrever. Quem me conhece sabe que não sou apaixonada por por tv, também não sou radical ao ponto de me recusar a ligar o aparelho mas sou, digamos muito selectiva no que vejo, gosto essencialmente de programas de informação que envolvam debates sobre variados temas, acho sinceramente que nos enriquecemos a nível de cultura geral e aprendemos a desmistificar sentimentos e emoções. É precisamente sobre uma reportagem que foi transmitida pela sic no dia 17/1/2008, precedida por um debate que dei por mim a ficar "colada" ao ecrã. A reportagem intitulava-se "sentença de vida", e tratava da história de uma menina de seu nome Matilde que conta nesta data com 11 anos. Até aqui tudo normal exceptuando o facto de esta menina ter tido uma vida normal até ao dia 23/11/2005 quando sofreu um AVC, ficando num estado vegetativo persistente, A sua mãe Alexandra sofre com as ambivalências dos seus sentimentos, por um lado não consegue viver sem a Matilde, por outro tem muita vontade de dizer à equipa médica da Matilde que não a reanimem se a menina tiver outra crise, ora como todos bem sabemos os médicos têm que respeitar a ética e a deontologia das suas profissões e exercem as suas profissões para salvar vidas, mas vidas que viverão em que condições? Com que dignidade? E reparem que não vos falo de todo de eutanásia, porque como muito bem diz a mãe da Matilde uma coisa é dizer não reanimem e outra é dizer acabem. Alexandra é acusada por pessoas ignorantes de não querer ter trabalho com a filha e só por isso ter este tipo de sentimento, mas será que ninguém percebe que se a Matilde fosse uma criança normal, esta senhora teria muito mais trabalho! Alexandra diz também que a vítima é sem dúvida a Matilde, porque foi esta criança que perdeu tudo, esta criança não fala, não vê , não sente, não cheira, não ouve, não brinca , não chora, não tem crises de amuo como qualquer outra criança, não ri, a Matilde não vive, a matilde sobrevive. Quem terá o poder de julgar esta mãe? Quem terá o poder de decisão de vidas que não são vidas? Este não é um assunto fácil, é complexo, contranatura até, mas se por algum momento a Matilde pudesse decidir, que pensam vocês que ela decidiria?

Até breve